24 anos de Paz: Analistas e Ativistas divergem sobre avanços e retrocessos

Analistas políticos e activistas confrontaram posições sob o tema “Avanços e recuos nas comemorações do memorando do Luena”, evidenciando que, embora o 24.º aniversário da paz rrepresente o calar das armas, a paz social e económica continua a ser um terreno de discórdia.

______________________________________________________________________________________________________________________________________

Por: Albino Azer

 Na última edição do Especial Primeiro, programa de debate, Nelson Francisco, líder da Associação Juvenil “RIJURRA”, apresentou uma leitura crítica sobre o estado actual do país, vinculando a falta de infraestruturas à gestão do erário público. “Quando o MPLA deixar de roubar e combater seriamente a corrupção, teremos escolas e empregos para os jovens”, afirmou o ativista, sublinhando que a ausência de oportunidades é o principal entrave para a juventude no pós-guerra.

 

No mesmo sentido, o Vice-presidente do Movimento Social para Mudança (MDM), Jones Sebastião, defendeu que o país deveria estar num patamar de desenvolvimento muito superior passadas mais de duas décadas. Sebastião rejeitou o sentimento de gratidão popular pelas obras realizadas pelo Executivo. “Em 24 anos de paz, Angola estaria muito mais distante. Não podemos agradecer o que foi feito porque ninguém os obrigou a estar no poder”, concluiu.

 

 Por sua vez, o jurista e militante do MPLA, António Cahebo, refutou as críticas e acusou os movimentos de activismo de estarem ao serviço de interesses partidários da oposição. Segundo Cahebo, os ativistas, com excepção de alguns, são utilizados como “instrumentos” do maior partido na oposição, UNITA recorrendo a uma metáfora controversa ao afirmar que estes são usados como “preservativos em vésperas eleitorais”.

Para o jurista, o debate sobre “avanços e recuos” deve transitar da crítica para proposta de soluções. “Mais do que apontar problemas, que é fácil, devemos apontar soluções”, defendeu Cahebo.

 

Recorde-se que o Memorando do Luena, assinado em 2002, pôs fim a décadas de conflito civil em Angola.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *