Guiné-Bissau acusa Angola de “fachada democrática” após críticas de João Lourenço a golpe militar

O porta-voz do Conselho Nacional de Transição (CNT), Fernando Vaz, reagiu com dureza às declarações do Chefe de Estado angolano na União Africana, classificando processos eleitorais viciados como “golpes constitucionais”.


Conselho Nacional de Transição (CNT) da Guiné-Bissau endureceu o discurso contra líderes internacionais, visando especificamente o Presidente João Lourenço, após este condenar publicamente o golpe militar ocorrido no país lusófono em novembro de 2025.

A reacção de Bissau foi motivada pelo discurso de João Lourenço no sábado, 14, que marcou o encerramento do seu mandato como presidente rotativo da União Africana. Na ocasião, Lourenço defendeu que a “normalização de governos militares é inaceitável” e representa um retrocesso democrático para o continente.

Em conferência de imprensa, o porta-voz do CNT, Fernando Vaz, não poupou críticas ao líder angolano, acusando-o de “hipocrisia” e de ignorar as fragilidades do sistema democrático no seu próprio país.

“Golpes Constitucionais”. Fernando Vaz argumentou que a legitimidade de um governo não reside apenas na ausência de botas militares nas ruas, mas na integridade das urnas.

Vaz afirmou que João Lourenço ignora irregularidades nos processos eleitorais de Angola, sugerindo que eleições fraudulentas constituem, na prática, “golpes constitucionais”.

Para as autoridades de Bissau, o modelo angolano é uma “democracia de fachada”, desenhada para garantir a aceitação internacional enquanto silencia a oposição interna.

“Não se pode condenar golpes militares enquanto se fecham os olhos a manipulações eleitorais que produzem o mesmo efeito: a negação da vontade popular”, declarou Vaz.

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