Ministério do Interior “Não é palco para gestos de ocasião, nem espaço para comunicação superficial”: Luís de Castro
Em carta divulgada nesta quarta-feira(11), O Presidente do Partido Liberal Euclides Luís de Castro, lamentou o posicionamento do Ministro do Interior , afirmando que Manuel Homem tentou suavizar a realidade do que de enfrentá-la com a seriedade que a situação exige. “Caso de superlotação no “centro de apoio aos utentes”.
Íntegra da Carta aberta ao Sr. Ministro Manuel Homem
Caro Manuel Homem,
Receba as minhas saudações, na esperança de que esta missiva o encontre de boa saúde.
Acompanhei, com profunda preocupação, o vídeo que V. Ex.ª divulgou recentemente, em reacção às denúncias de cidadãos que passaram a noite no chamado “centro de apoio aos utentes”. As imagens que circularam antes do seu pronunciamento mostravam algo que nenhum país que respeita o seu povo deveria tolerar: mães ao relento, algumas com filhos recém-nascidos, aguardando por documentos que são um direito básico do cidadão.
O vídeo apresentado por V. Ex.ª pareceu mais uma tentativa de suavizar a realidade do que de enfrentá-la com a seriedade que a situação exige. A dor de quem dorme no chão à espera de um passaporte ou de uma carta de condução não se resolve com encenações para as redes sociais.
Caro Ministro, o Ministério do Interior é uma instituição de enorme responsabilidade. Não é palco para gestos de ocasião, nem espaço para comunicação superficial. É um ministério que lida diariamente com a dignidade e os direitos fundamentais dos cidadãos.
Milhares de angolanos continuam a enfrentar filas intermináveis, atrasos injustificáveis e humilhações silenciosas para obter documentos elementares. As reclamações multiplicam-se e o desespero cresce. E quando o povo sofre, não basta reagir com vídeos; é preciso agir com soluções.
Falo com respeito, mas também com franqueza: o país precisa de respostas, não de paliativos. Precisa de instituições que funcionem e de governantes que encarem os problemas de frente.
Que esta situação sirva não para alimentar polémicas, mas para despertar consciência. Porque quando um povo dorme no chão para exercer um direito, o problema deixou de ser administrativo passou a ser moral.
Com consideração institucional.
