FNLA em guerra interna: ala de Ngola Kabango admite que não chegará ao poder em 2027
A crise interna na Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) continua a aprofundar-se e ameaça culminar na realização de dois congressos distintos. Enquanto a ala liderada por Ngola Kabango avança com os preparativos do VI Congresso Ordinário, marcado para setembro próximo, a direcção encabeçada por Nimi a Simbi não reconhece a legitimidade das iniciativas em curso.
Por: Albino Azer
Neste sábado, 20 de junho, membros do Comité Central afectos a ala de Ngola Kabango realizaram, no Complexo 15 de Março, em Luanda, a abertura das assembleias provinciais destinadas à eleição de delegados ao conclave. Um processo que elegeu cerca de 400 delegados em todo o país.
Em declarações à imprensa, o coordenador nacional da Comissão Preparatória do VI congresso, Ntonda Nzinga, lançou duras críticas à actual liderança do partido, acusando o presidente do partido, Nimi a Simbi, de pretender “alcaparrar-se da organização com os seus acólitos”.
“O presidente quer alcaparrar-se do partido com os seu acólitos, com uma visão meramente mercantilista que visa apenas os dinheiros das eleições. Porque ele nem o relatório das eleições de 2022 apresentou”, denunciou.
Ntonda reconheceu as dificuldades da FNLA em afirmar-se como alternativa de poder nas eleições gerais de 2027. Ainda assim, garantiu que o partido continuará representado na Assembleia Nacional.
“A FNLA estará lá. Poderão ver o número de deputados no sentido ascendente, sublinho com letras maiúsculas. Quem viver verá”, afirmou
Sob o lema “Unamo-nos para os desafios da nação”, o VI Congresso Ordinário é visto como um momento decisivo para a reorganização interna da histórica formação política fundada por Holden Roberto. O conclave deverá eleger um novo presidente e definir a estratégia partidária para os próximos anos.
Entretanto, a falta de consenso entre as duas alas aumenta a possibilidade de a FNLA realizar dois congressos paralelos, cenário que poderá aprofundar ainda mais as divisões internas e fragilizar a posição do partido no panorama político nacional.
