Julgamento do responsável da Konda Marta é novamente adiado para 30 de Junho

O julgamento do presidente do Conselho de Administração (PCA) da Konda Marta, Daniel Afonso Neto, foi novamente adiado e deverá realizar-se no próximo dia 30 de Junho, após a audiência inicialmente marcada para esta sexta-feira, 26, não ter acontecido devido à alegada ausência dos queixosos, segundo informou o próprio arguido.

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Por: Albino Azer

Em declarações à imprensa, Daniel Afonso Neto manifestou satisfação por o processo continuar a seguir os trâmites legais, embora tenha criticado o funcionamento da justiça angolana.
“Para mim sinto-me feliz, porque já passei por cinco detenções sem julgamento. É a justiça que temos e é o país que temos”, declarou.

O empresário é arguido num processo movido pelo actual governador da província do Cuanza-Sul, Eugénio Laborinho, que o acusa dos crimes de calúnia, difamação e incitação à violência. Figuram ainda como queixosos, no mesmo processo, o tenente-general Rui Fernandes Lopes Afonso, antigo comandante da Região Militar de Luanda, o subcomissário Joaquim Osvaldo Dadinho de Rosário, ex-comandante municipal da Polícia Nacional no Talatona, o ex-administrador municipal do Talatona, Rui Duarte, e ainda o presidente do Movangola, António Sawanga.

O julgamento decorre na 5.ª Secção dos Crimes Comuns do Tribunal Provincial de Luanda, instalada no Palácio Dona Ana Joaquina.
Daniel Afonso Neto assegurou estar preparado para responder às acusações e voltou a considerar que o processo resulta de perseguição.
“Nós estamos dispostos para responder. Quem fala a verdade neste país é perseguido”, afirmou.

Esta é a segunda vez que a audiência é reagendada. Inicialmente prevista para o dia 18 de Junho, a sessão tinha sido transferida para 26 de Junho. Com o novo adiamento, o julgamento ficou marcado para 30 de Junho.

Segundo Daniel Afonso Neto, a origem da queixa está relacionada com as denúncias que fez sobre a morte de Alves Benjamin, jovem de 22 anos que morreu, em Setembro de 2023, após ter sido baleado por efectivos da Polícia Nacional no terreno da empresa Konda Marta.

Entretanto, trabalhadores e camponesas ligados à empresa manifestaram apoio a Daniel Neto, considerando que o processo representa uma alegada perseguição. Entre os que defenderam Daniel Afonso Neto estão José Eduardo, da área de Comunicação e Imagem da empresa, a chefe das camponesas Mimosa Kamongo e Madalena Faria.
Durante a sua intervenção, Madalena Faria citou o versículo bíblico de Provérbios 18:5, afirmando: “Não é bom ter respeito à pessoa do ímpio, para derribar o justo em juízo”.

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