NO BIÉ: Director acusado de desaparecer com provas de exames é libertado; advogado acusa SIC de detenção ilegal e expõe escolas “debaixo de árvores”

O caso do Director de uma escola primária do município da Lúbia, província do Bié, noticiado pelo Primeiro Impacto na manhã desta sexta-feira, 3, ganhou novos contornos depois de o advogado de defesa contestar a actuação do Serviço de Investigação Criminal (SIC), denunciar alegadas ilegalidades no processo e revelar que os alunos da referida escola estudam “debaixo de árvores”, sem condições mínimas.


Por: Albino Azer

O Director identificado como Júlio Avelino Salucamba, de 57 anos, tinha sido detido pelo SIC sob suspeita dos crimes de abuso de poder e inutilização ou subtracção de documentos, depois de alegadamente se ter ausentado da escola durante cerca de dez dias e deixado as provas dos exames finais à guarda do soba da sua aldeia, impedindo dezenas de alunos de realizarem as avaliações.

 

Em reacção o advogado de defesa Simão Hebo rejeitou, através de um áudio enviado à nossa redação, no WhatsApp, a versão apresentada pelas autoridades e sustentou que o seu constituinte não cometeu qualquer acto criminoso.
Segundo o jurista, a principal acusação assenta na alegada falta de fiscalização das provas e na não publicação das pautas, situação que, no seu entender, resulta das precárias condições da escola e não de uma conduta dolosa do director.
“São 63 estudantes que estão desdobrados em duas escolas por debaixo do imbondeiro que sentam nas latas das chamadas escolas”, reage Simão Hebo.

O advogado acrescentou que a instituição funciona praticamente ao ar livre, contando apenas com três professores e o próprio director, pelo que considera injusto responsabilizar criminalmente o gestor escolar.
“Como é que se responsabiliza o director de uma escola que funciona por baixo das árvores? O que é que ele podia fiscalizar ali?”, questionou.

Simão Hebo afirmou ainda que o Director se encontrava em Luanda para participar numa actividade de âmbito ministerial quando ocorreram os factos, rejeitando a ideia de abandono das funções. Além de contestar as acusações, o advogado criticou o SIC, acusando os investigadores de terem efectuado uma detenção sem mandado e de realizarem buscas alegadamente sem observarem os procedimentos legais.
“O SIC deteve o mais velho sem mandado de detenção e sem preencher os pressupostos legais. E quem elaborou o documento é o próprio homem do SIC eu tenho muitas dificuldades em perceber o SIC também a elaborar o documento de busca e apreensão”? indagou o advogado Simão Hebo.

Entretanto, o Primeiro Impacto apurou que o Ministério Público junto dos órgãos de Polícia Criminal no município da Lúbia determinou a libertação de Júlio Avelino Salucamba.
O mandado de soltura foi emitido no dia 1 de Julho de 2026 pelo magistrado do Ministério Público e Procurador da República no município da Nharêa, Mildrid Teodoro Walaka Mumbépia, permitindo que o arguido responda ao processo em liberdade.

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