PCA da Konda Marta nega ter “recuado” nas acusações contra Comandante-geral da Polícia
O Presidente do Conselho de Administração (PCA) da Konda Marta, Daniel Afonso Neto, reagiu hoje, domingo, 23 de agosto, à informação divulgada por vários órgãos da comunicação social segundo a qual teria recuado, em tribunal, das acusações anteriormente feitas contra o comandante-geral da Polícia Nacional, Francisco Monteiro Ribas da Silva, e outros responsáveis.
Por: redação
A reacção de Daniel Afonso Neto surge na sequência de uma notícia intitulada “Comandante-Geral entala Afonso Neto no Tribunal da Comarca de Luanda – Vai ter que provar que o número um da Polícia usurpou terreno”, na qual foi relatado que, durante a audiência realizada na sexta-feira, 21 de agosto, Daniel Afonso Neto teria negado que o comandante-geral possuísse terrenos ou um condomínio na área em causa.
Segundo Daniel Neto, a referida informação “não condiz com a verdade”. O responsável da Konda Marta garante que, perante a juíza, manteve as acusações contra Francisco Ribas da Silva e outros oficiais, generais e comissários que, segundo afirmou, estariam envolvidos numa alegada “máfia” relacionada com terrenos e condomínios.
“Em nenhum momento, em sede do tribunal, me descartei das acusações que tenho feito contra o comandante-geral e outros oficiais, generais e comissários”, afirmou Daniel Afonso Neto.
O PCA alegou ainda que Francisco Monteiro Ribas da Silva, quando exercia as funções de comandante provincial, teria tido protagonismo no processo de ocupação da área em causa. Segundo Daniel Neto, a utilização de meios da Polícia Nacional teria permitido o crescimento de condomínios no local.
Daniel Neto afirmou também que alguns dos imóveis estariam registados em nome de terceiros, incluindo, segundo afirmou, um alegado genro de um dos responsáveis mencionados.
Sublinhou, por isso, que o facto de os imóveis não estarem em nome dos oficiais que acusa não significa, na sua perspectiva, que estes não tenham qualquer relação com os mesmos.
O responsável da Konda Marta contestou igualmente a interpretação de que teria negado as declarações anteriormente proferidas nos órgãos de comunicação social e nas redes sociais.
“Quando venham vincular que eu neguei as declarações que havia proferido nos órgãos de comunicação social contra o comandante-geral e outros oficiais, não condiz com a verdade”, declarou.
Daniel Neto criticou ainda a linha de questionamento adoptada durante a audiência pela defesa do comandante-geral, alegando que algumas perguntas teriam procurado “desviar a atenção” do que considera serem os factos centrais do processo.
O arguido questionou igualmente a actuação do Ministério Público, afirmando que a acusação se concentra nas alegadas calúnias e difamações, sem, no seu entendimento, aprofundar os factos que terão estado na origem das suas declarações.
“O Ministério Público só está a falar de calúnia e difamação, mas não quer saber das próprias declarações que originaram essas declarações”, afirmou.
Daniel Afonso Neto que regressa ao Tribunal da Comarca de Luanda no próximo dia 4 de setembro, defendeu, por outro lado, a realização de uma perícia no local, para que sejam verificadas as obras e os imóveis que relaciona com as pessoas por si acusadas.
“O que quero pedir ao tribunal é que crie uma equipa de perícia para vir aqui constatar as obras dessas individualidades”, disse.
O PCA da Konda Marta considerou ainda que o processo judicial constitui uma tentativa de silenciar as denúncias que tem feito contra responsáveis de órgãos do Estado.
“Em nenhum momento vou-me refutar das acusações que fiz contra essas individualidades”, reiterou, acrescentando que dispõe de provas sobre todas situações que denuncia.
A troca de palavras surge dois dias depois do início do julgamento no Tribunal da Comarca de Luanda, Palácio Dona Ana Joaquina. A audiência, recorde-se, foi posteriormente suspensa devido ao mal-estar apresentado pelo arguido, neste caso, Daniel Neto.
