CABIRI: Cidadão acusa administradora de favorecer terceiros em disputa por terreno de quatro hectares
Um cidadão identificado como Pedro Viegas acusa a Administração Municipal do Cabiri, província do Icolo e Bengo, de estar a favorecer terceiros numa disputa pela posse de um terreno com quatro hectares, localizado na zona do quilómetro 44.
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Por: redação
Segundo o denunciante, nesta quinta-feira, 27 de Agosto, uma operação que contou com a presença de efectivos policiais, fiscais e máquinas terá procedido à demolição do muro que delimitava o espaço.
Pedro Viegas afirma que a administradora municipal, Isabel Nicolau Kudiqueba, tem demonstrado interesse pelo terreno e que tem comparecido frequentemente no local acompanhada por dois cidadãos que se apresentam como proprietários do imóvel.
“Sei que por trás há um cabritismo da administradora Isabel e do administrador para a área técnica”, afirmou, acusando a administração de criar obstáculos à implementação do seu projecto.
O cidadão garante possuir documentação relactiva ao terreno, incluindo documentos assinados pelo governador provincial do Icolo e Bengo, Auzílio Jacob, e diz ter previsto para o espaço a construção de um centro logístico.
“Eu tenho um projecto para fazer aqui um centro logístico. Era mais emprego para os angolanos e seria uma solução para a gente resolver o problema do país”, afirmou.
Viegas acrescenta que o projecto poderia gerar postos de trabalho para jovens do Icolo e Bengo e de outras regiões, lamentando os entraves que, segundo ele, têm impedido a sua execução.
O cidadão afirma ainda que a disputa já está sob conhecimento do Serviço de Investigação Criminal (SIC), que, segundo ele, está a trabalhar para apurar a autenticidade dos documentos apresentados pelas partes e determinar quem tem legitimidade sobre o terreno.
“O SIC está a trabalhar no caso para rever a verdade”, declarou.
Por sua vez, a administradora municipal do Cabiri, Isabel Nicolau Kudiqueba, rejeita as acusações e apresenta uma versão diferente dos factos.
A responsável acusa Pedro Viegas de ser um invasor e afirma que os documentos apresentados pelo cidadão terão sido falsificados, incluindo uma suposta assinatura.
“Estou cansada. Sobre o caso do Viegas já não quero mais falar. Ele é um invasor”, afirmou a administradora, acrescentando que “ele falsificou os documentos”.
A Administração Municipal admite, entretanto, que existem três pessoas que se apresentam como proprietárias do terreno, estando a situação na origem do conflito.
Durante o encontro com jornalistas que procuravam obter o contraditório, a administradora esteve acompanhada pelo Superintendente-Chefe Madaleno dos Santos e pelo director do Gabinete Jurídico da Administração Municipal do Cabiri.
A deslocação da equipa de jornalistas ao local para ouvir a versão da administração ficou também marcada por um incidente.
À chegada dos jornalistas, um cidadão que se apresentou como funcionário da Administração Municipal, supostamente colocado no gabinete de Comunicação Social, terá agredido fisicamente o director do portal Elite Post, Romão de Jesus, com um soco na região do abdômen.
Já no gabinete da administradora, o Superintendente-Chefe Madaleno dos Santos terá determinado que os jornalistas entrassem para a reunião sem os respectivos equipamentos de trabalho, nomeadamente telefones, blocos de notas e câmaras, tendo também exigido a apresentação das carteiras profissionais.
O episódio levantou igualmente questionamentos entre os jornalistas sobre a presença frequente de um oficial superior da Polícia na Administração Municipal, numa altura em que a sua principal missão institucional passa pela coordenação dos efectivos policiais na esquadra.
Com três cidadãos a reivindicarem a titularidade do mesmo terreno, o conflito permanece sem uma solução definitiva.
De um lado, Pedro Viegas sustenta que possui documentação que comprova os seus direitos sobre os quatro hectares e acusa a administração de favorecer os outros interessados. Do outro, a Administração Municipal do Cabiri considera-o invasor e questiona a autenticidade dos documentos por si apresentados.
