TRIBUNAL: Daniel Neto acusa subcomissário Joaquim do Rosário de orquestrar ocupação de terrenos da Konda Marta

O presidente do Conselho de Administração (PCA) da empresa Konda Marta, Daniel Afonso Neto, acusou na sexta-feira, 9 de outubro de 2026, em tribunal, o subcomissário Joaquim Osvaldo Dadinho de Rosário de estar envolvido na alegada ocupação de terrenos, afirmando que o oficial possui condomínios no espaço em disputa.


Por: redação

“Ele tem condomínios no terreno da Konda Marta e o condomínio chama-se For Life”, declarou Daniel Neto durante a audiência realizada no Tribunal da Comarca de Luanda, no edifício Dona Ana Joaquina, 5ª Secção.

Essas declarações levaram o tribunal a suspender a audiência e a agendar diligências no terreno para o próximo dia 14 de Outubro, no município do Camama, em Luanda, com o objectivo de esclarecer dúvidas relacionadas com a propriedade do espaço e a origem dos investimentos existentes na área.

O advogado Salvador Freire, que representa Daniel Neto, considera que ainda existem aspectos por esclarecer no processo, razão pela qual defende a realização de diligências no local antes de qualquer decisão judicial.
“Há uma zona cinzenta e o tribunal precisa de encontrar esclarecimentos desses factos, precisa encontrar provas suficientes para tomar uma decisão futura”, afirmou o advogado, acrescentando que existem outros passos processuais a cumprir.

Salvador Freire explicou que a deslocação ao terreno deverá ajudar a esclarecer a titularidade dos condomínios e a eventual participação do Estado angolano nos investimentos realizados naquela área.
“Vamos fazer diligências no terreno para saber de quem são os condomínios e se, de facto, há investimentos do Estado angolano naquele terreno”, declarou.

O advogado acrescentou que, segundo os declarantes ouvidos no processo, o Estado ter-se-á apropriado do espaço sem proceder à indemnização dos ocupantes.
“Os declarantes dizem que o Estado apropriou-se daquele espaço e, como sabem, não houve indemnização naquele terreno. Através deste trabalho, naturalmente, o tribunal vai tirar as suas conclusões”, afirmou.

Daniel Afonso Neto está a ser julgado pelos crimes de calúnia, difamação e incitação à violência, na sequência de declarações públicas relacionadas com responsáveis ligados à Polícia Nacional.

O processo envolve queixas apresentadas por Eugénio César Laborinho, antigo ministro do Interior e actual governador do Cuanza-Sul, Rui Fernandes Lopes Afonso, tenente-general e antigo comandante da Região Militar de Luanda, Joaquim Osvaldo Dadinho de Rosário, antigo comandante municipal da Polícia Nacional no Talatona, Rui Duarte, antigo administrador municipal do Talatona, e António Altino Sawanga, presidente do Movangola.

O caso está relacionado com declarações proferidas por Daniel Neto sobre a morte do jovem Alves Benjamin, ocorrida em 2023.

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