Dinheiro, poder ou estatutos? FNLA e PDP-ANA entram em congressos divididos à porta das eleições de 2027
Duas alas da FNLA disputam a legitimidade dos congressos, enquanto o PDP-ANA realiza a IV Convenção sob contestação interna. PHA também enfrenta divergências antes do encontro marcado para Dezembro.
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Por: redação
A ambição pelo poder, as divergências sobre a interpretação dos estatutos e a disputa pela legitimidade dos órgãos internos expõe as fragilidades de partidos na oposição, numa altura em que o país se aproxima das eleições gerais de 2027.
A Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), o Partido Democrático para o Progresso da Aliança Nacional Angolana (PDP-ANA) e o Partido Humanista de Angola (PHA) enfrentam divergências internas que ameaçam transformar os processos de renovação das respectivas lideranças em novos focos de conflito político.
O cenário mais evidente está na FNLA, que chega a esta sexta-feira, 30 de outubro, com dois processos congressuais concorrentes, enquanto o PDP-ANA realiza a sua IV Convenção Nacional sob contestação de membros descontentes com a actual liderança.
Na FNLA, a ala ligada ao histórico dirigente Ngola Kabangu promove neste momento um congresso extraordinário até 31 de outubro, em Luanda, depois de membros do Comité Central terem deliberado o afastamento de Nimi-a-Simbi da presidência do partido.
Os promotores da iniciativa alegam que a decisão foi tomada com quórum deliberativo de 52% e defendem que o encontro visa ultrapassar a crise de liderança e reorganizar a formação política.
Entretanto, Nimi-a-Simbi rejeita o afastamento e mantém a convocação do VI Congresso Ordinário para os dias 25, 26 e 27 de Novembro, igualmente em Luanda, no qual pretende disputar a continuidade na liderança.
A disputa ocorre num contexto de intervenção do Tribunal Constitucional, com o cumprimento dos estatutos e a legitimidade dos actos dos órgãos partidários no centro da controvérsia.
No PDP-ANA, a ala liderada pelo presidente Abreu Capitão realiza esta sexta-feira, 30 de outubro, a IV Convenção do partido, num ambiente marcado por acusações de irregularidades internas.
O Partido Humanista de Angola, liderado por Florbela Malaquias, também enfrenta divergências internas antes da II Convenção Ordinária, marcada para 5 de Dezembro de 2026.
Entretanto, o vice-presidente para a Coordenação Nacional, Ivo Ginguma, tem contestado procedimentos da actual liderança, alegando violações dos estatutos e de decisões do Tribunal Constitucional.
A realização da convenção está associada ao cumprimento do Acórdão n.º 1125/2026 do Tribunal Constitucional, segundo informações divulgadas sobre o processo.
No caso do PHA, a presidente Florbela Malaquias admitiu, em setembro, que a formação política recebe uma dotação estatal estimada em cerca de 61 milhões de kwanzas por ano, paga trimestralmente, mas que enfrenta dificuldades para financiar a convenção.
A fechar, na FNLA, duas alas reivindicam legitimidade para conduzir o partido. No PDP-ANA, a convenção decorre sob contestação sobre a competência para convocá-la. No PHA, as divergências persistem antes de um encontro decisivo para a renovação dos órgãos de direcção.
