Crise na FNLA: Comité Central marca Congresso para setembro e apelida Nimi a Simbi de “ditador”

A Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) mergulhou em mais um episódio de instabilidade interna. Em conferência de imprensa realizada esta quinta-feira, 26 de março de 2026, em Luanda, o Comité Central (CC) do partido anunciou a convocação do VI Congresso Ordinário para os dias 23, 24 e 25 de setembro próximo, lançando duras críticas à gestão de Nimi a Simbi.

________________________________________________________________________________________________________________________

Por: redação PI

 

Os dirigentes do partido histórico não pouparam palavras, classificando o actual presidente como um “imperador, ditador e exímio violador” das normas internas. Segundo o Comité Central, Nimi a Simbi tem evitado deliberadamente convocar reuniões do Bureau Político e do próprio CC, numa tentativa de “arrastar” o seu mandato, que termina a 30 de Setembro, até às eleições gerais de 2027.

 

Daniel Afonso, membro do Comité Central, esclareceu que a decisão de marcar o conclave não visa, para já, o afastamento imediato do líder, mas sim forçá-lo a cumprir a legalidade. “O presidente deve obedecer aos estatutos. O congresso é da competência do Comité Central e o presidente quis inverter estas normas”, afirmou, sublinhando que Nimi a Simbi deverá participar no evento apenas na condição de delegado.

 

No mesmo sentido, Ndonda Nzinga, eleito coordenador da comissão preparatória do congresso, reforçou que a democracia interna da FNLA está em risco. “Ser eleito presidente não dá o direito de ser um imperador. Os factos mostram que ele nunca quis o debate político nem o provimento da democracia interna”, acusou.

 

Desde a morte do líder fundador, Holden Roberto, em 2007, a FNLA tem enfrentado sucessivas crises de liderança e divisões em alas. Sob o comando de Nimi a Simbi, o partido obteve um resultado modesto nas eleições gerais de 2022, elegendo apenas dois deputados, o que acentuou o descontentamento entre os militantes sobre a relevância da organização no actual cenário político angolano.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *