Debate Primeiro Impacto marcado por troca de acusações entre MPLA e UNITA

O Primeiro Impacto foi, recentemente, palco de um aceso debate político entre os juristas António Cahebo e Laurindo Mande. No centro da discussão estiveram o financiamento de ativistas e a gestão da governação em Angola.


Por: Albino Azer

O debate Primeiro Impacto que visou analisar o “papel do cidadão nas decisões políticas” transformou-se num campo de fortes trocas de palavras entre representantes das duas maiores forças políticas no país.

António Cahebo, jurista e militante do MPLA, abriu as hostilidades ao lançar duras críticas aos activistas, alegando que estes operam como “mercenários políticos” a reboque do maior partido da oposição. Segundo Cahebo, existe um contraste entre o discurso de carência destes indivíduos e o seu nível de vida real.

“Não são ativistas, são mercenários políticos porque vivem bem, comem bem, têm os filhos nas melhores escolas e usam a pobreza apenas para obter engajamento social nas redes sociais”, afirmou o militante do MPLA.

Cahebo foi mais longe ao apontar Nelito Ekuikui, líder da JURA (braço juvenil da UNITA), como o mentor financeiro destes activistas. “Todos estes estão no cafrique da JURA, sobretudo olhando para Nelito Ekuikui, que é o principal financiador destes ativistas”, reforçou.

Em contrapartida, Laurindo Mande, igualmente jurista e militante da UNITA refutou as alegações, defendendo que a participação dos cidadãos na vida pública é um direito fundamental que não carece de patrocínios. Mande questionou a lógica de Cahebo, sugerindo que a insatisfação popular nasce da própria realidade do país.

“Para o cidadão participar na vida pública e questionar a má governação do MPLA tem de ser financiado? O teu partido governa mal o país há 50 anos; para um cidadão questionar, precisa de financiamento?”, rebateu Mande descrevendo o adversário como “o maior bajulador de Angola” tenso ainda separado a identidade do povo da estrutura do partido no poder. “O MPLA não é o povo e o povo não é o MPLA”, vincou.

O jurista diz que o actual elenco governativo é composto por “indivíduos corruptos”, utilizando o estado dos processos na Procuradoria-Geral da República (PGR) como argumento.

“A PGR tem vários processos e nenhum dos que roubaram o país é da UNITA. Todos são do MPLA”, concluiu Mande.

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