João Lourenço define critérios “rígidos” para sucessão e “Passagem de Testemunho” no MPLA

O líder do MPLA, João Lourenço, utilizou a metáfora da “corrida de estafetas” para sublinhar a sua visão para a sucessão da liderança do partido, enfatizando que o próximo candidato deve ser mais “fresco”, preparado e capaz de garantir a vitória eleitoral. As declarações foram feitas no comício do último sábado, 13 de dezembro, no município do Kilamba, em Luanda, marcando as comemorações do 69º aniversário do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA).


Por: Albino Azer

Num discurso que abordou directamente o debate sobre o futuro da liderança, Lourenço descartou a possibilidade de entregar o testemunho a alguém que demonstre sinais de “cansaço” ou falta de preparação.

“Acham que é inteligente da nossa parte quem está na corrida vem todo suado, transpirado, na hora de entregar o testemunho quem vai receber está com respiração mais ofegante que eu. Eu vou entregar o testemunho a esse camarada?”, questionou o presidente, em tom figurado, perante milhares de militantes e simpatizantes.

O líder do partido no poder, garantiu que a escolha do sucessor deve ter em mente os interesses da nação angolana e não apenas os do partido.

“Agora temos que garantir que quando chegar o momento quem vai receber o testemunho seja mais fresco que eu, com mais conhecimento que eu, tem a lição bem estudada e dá-nos grandes probabilidades de que vai vencer as eleições e que vai ser bom presidente para os angolanos”, afirmou Lourenço.

As declarações de João Lourenço surgem num contexto de crescentes tensões internas e potenciais disputas pela liderança. Recorde-se que há meses, o general na reforma Higino Carneiro anunciou a sua intenção de candidatura à presidência do MPLA, enquanto Valdir Cônego, outro potencial candidato, foi expulso do partido por má conduta e acusações de perseguição política.

O discurso de Lourenço é visto por analistas do Primeiro Impacto como uma tentativa de fechar o ruído em torno da sucessão e reafirmar o debate essencial sobre a competência e a capacidade de garantir a governação no futuro, em linha com a sua mensagem de que “quando um funcionário trabalha bem, o patrão não despede”.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *