MEA classifica como “Missão Impossível” meta de João Lourenço para o Sector da Educação
Simão Bento Formiga, o recém-eleito presidente do Movimento dos Estudantes Angolanos (MEA), reagiu com ceticismo à orientação do Chefe de Estado, afirmando que a falta de infraestruturas e o défice de professores inviabilizam a meta de “nenhuma criança fora do sistema”.
Por: Albino Azer
O novo presidente do Movimento dos Estudantes Angolanos (MEA), Simão Bento Formiga, descreveu como uma “missão impossível” a diretriz dada pelo Presidente da República, João Lourenço, à nova Ministra da Educação, Érika Linete Batalha de Carvalho Aires.
Durante a cerimónia de empossamento, nesta segunda-feira, 9, o Titular do Poder Executivo instou a nova governante a garantir que nenhuma criança angolana fique fora do sistema de ensino, uma meta que o líder estudantil considera desconectada da realidade atual do país.
Em declarações ao Primeiro Impacto, o líder do MEA sublinhou que a orientação do presidente não se vai efectivar. “Primeiro é que o Presidente da República dá uma missão impossível à nova ministra, e isso demonstra claramente que não há comprometimento real com a educação”, afirmou Formiga.
Simão Bento Formiga destacou três pilares críticos que, na sua visão, impedem a inclusão universal imediata a começar pela carência de salas de aula e a existência de escolas sem o mínimo de dignidade (falta de carteiras). O líder estudantil recordou que o país necessita de, pelo menos, 70 mil novos professores para cobrir a procura atua tendo referido que com pouco menos de dois anos até ao fim do atual mandato presidencial, a ministra não terá sucesso para esta tarefa.
“Não se vai incluir todas as crianças no sistema enquanto não houver escolas suficientes e enquanto o país precisar de mais de 70 mil professores. É impossível a ministra cumprir com essa missão”, reiterou.
Formiga defende que, antes de se anunciar a expansão total, o Governo deveria focar-se na qualidade e manutenção do que já existe.
“Nós queremos que haja condições nas escolas que já existem. Mais uma vez, o Presidente da República demonstrou que a sua governação é de promessas e não de cumprimento daquilo que é a satisfação das necessidades dos estudantes”, concluiu o dirigente.
A nova Ministra da Educação, Érika Aires, assume a pasta num momento de forte pressão social, herdando um setor marcado por greves constantes de professores e um clamor crescente da sociedade civil por um maior investimento no Ensino Geral, que continua a receber uma fatia do Orçamento Geral do Estado (OGE) abaixo das recomendações da UNESCO.
