Município dos Mulenvos sob sinal vermelho: criminalidade atinge níveis alarmantes e força famílias a abandonar residências

O bairro Kapalanga, município dos Mulenvos, em Luanda, vive um clima crescente de insegurança, marcado por assaltos violentos, uso de armas de fogo e alegada ausência de resposta policial eficaz. A situação tem provocado medo generalizado entre os moradores, muitos dos quais já começaram a abandonar as suas casas por receio de novos ataques.


Por: Albino Azer

O episódio mais recente ocorreu na madrugada da última segunda-feira, no bairro Kapalanga, nas imediações da Universidade Jean Piaget de Angola. Cerca de nove homens armados e encapuzados invadiram uma residência por volta das 03 horas, num assalto que durou aproximadamente cinco minutos, mas deixou marcas profundas nas vítimas.

A proprietária da residência, Maria de Fátima João, relatou momentos de verdadeiro terror. Segundo o seu testemunho, os indivíduos arrombaram a janela e, sob forte intimidação, exigiram dinheiro, códigos dos cartões multicaixa e outros bens de valor. Do interior da casa foram levados 10 perucas, dois telemóveis, além de uma transferência imediata no valor de 80 mil kwanzas, feita no local sob ameaça de armas de fogo.

A intenção do grupo era também levar a viatura que se encontrava estacionada no quintal, o que acabou por não se concretizar porque, segundo contou a dona Maria, a chave do carro não apareceu naquele momento. Ainda assim, os prejuízos totais ascendem a 1 milhão e 22.400 kwanzas.

Maria de Fátima revelou ainda suspeitar que se tratou de um assalto encomendado, dada a forma organizada como os criminosos atuaram. “Comigo trataram bem, mas à minha filha bateram-lhe com o cano da arma na cabeça”, contou, visivelmente abalada.

A comerciante afirma que, após o ocorrido, tomou a decisão de abandonar definitivamente o bairro: “A partir de hoje já não vivo mais aqui”, lamentou.

Outro relato chocante é o de Maria de Carvalho (nome fictício), que descreveu a mesma noite como “um verdadeiro filme de terror”. Uma jovem de cerca de 28 anos, que tentou socorrer a tia Maria João durante o assalto, acabou por ser atingida por duas balas nas pernas, aumentando ainda mais o clima de medo na comunidade.

Moradores denunciam a falta de presença policial na zona. Segundo os relatos, na maioria das vezes são os próprios vizinhos que intervêm quando ocorrem assaltos. “A polícia não aparece com frequência”, Maria de Carvalho, num apelo direto às autoridades para assumirem maior compromisso com a segurança pública.

Por sua vez, Nelson Cultura residente no bairro desde 1987, lamenta o crescimento acelerado da criminalidade. “Hoje aqui há bandidos muito bem organizados”, afirmou, denunciando a ocorrência frequente de assaltos, agressões violentas e assassinatos. O morador acusa ainda a esquadra local de não dispor de meios básicos: “A esquadra não tem nenhuma viatura. Nós nunca vimos isso”.

Segundo Nelson Cultura, muitas famílias estão a abandonar as suas residências devido ao elevado nível de delinquência, alertando que, caso não haja uma resposta firme das autoridades, a população pode acabar por recorrer à justiça pelas próprias mãos.

Sobre o assalto em destaque, a Polícia local foi acionada e informou que as investigações estão em curso com vista à identificação e detenção dos implicados.

Enquanto isso, o município dos Mulenvos permanece sob um clima de tensão, com a população a exigir medidas urgentes para travar a onda de criminalidade que ameaça a segurança e a tranquilidade das famílias.

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