QUÃO MAU É O MPLA!!!
O que aconteceu no dia 14 de Março, durante as comemorações da fundação da UNITA em Muangay, enquanto o Presidente da UNITA Adalberto Costa Júnior discursava diante de milhares de cidadãos no Luena, revela muito mais do que simples incidentes. Revela a natureza de um poder que, mesmo depois de décadas no governo, continua a temer o próprio povo.
Por: Kamalata Numa
Dois factos marcaram aquele momento.
Primeiro, de forma quase cinematográfica, toda a cidade do Luena mergulhou na escuridão. A luz simplesmente desapareceu. Num país moderno, a eletricidade é um bem essencial para a vida das pessoas — para os hospitais, para os estudantes, para os comerciantes, para as famílias. No entanto, naquele momento, pareceu transformar-se num instrumento político. Quando o povo se reúne para ouvir uma alternativa, a cidade apaga-se. É uma ironia profunda: durante anos prometeram desenvolvimento, energia para todos e modernidade, mas bastou um comício da oposição para que o desenvolvimento desaparecesse por algumas horas. Quando não se consegue apagar a voz do adversário, tenta-se apagar a luz.
Mas há algo que regimes inseguros raramente compreendem: a escuridão também revela coisas. Revela o medo.
O segundo episódio é igualmente revelador. No meio da multidão que escutava o discurso estava infiltrado um agente dos serviços de segurança, armado. Acabou por ser descoberto e entregue à polícia local. A pergunta que fica é simples e perturbadora: por que razão um comício político precisa de ser infiltrado por um agente armado? Será que o regime teme o povo? Ou será que teme a própria verdade que circula entre os cidadãos?
Quando um governo precisa de infiltrar agentes e desligar cidades para enfrentar um discurso político, o problema já não é a oposição. O problema é a insegurança do próprio poder.
Relatos anteriores também indicaram tentativas de intimidação com recurso a minas terrestres entre Luena e Muangay. Se isso se confirmar, não estamos apenas perante um problema político — estamos perante um retrocesso civilizacional. Angola passou décadas a tentar libertar-se das minas da guerra. Milhares de angolanos sofreram as consequências dessa tragédia. Voltar a usar o medo e a ameaça no território nacional seria regressar à lógica da guerra, quando o país precisa exactamente do contrário: paz, confiança e futuro.
A verdade é que o MPLA governa Angola há cinquenta anos, mas continua a comportar-se como se estivesse permanentemente com medo de perder o poder. E é aqui que reside o grande paradoxo do regime. Quem governa há tanto tempo deveria sentir-se seguro da sua legitimidade. Mas quando vemos apagões em momentos políticos, infiltrações em comícios e tentativas de intimidação, percebemos que existe algo mais profundo: uma crise de confiança entre o poder e o povo.
Angola precisa de sair deste ciclo.
O país precisa de entrar numa nova etapa baseada em três pilares fundamentais: reconciliação nacional verdadeira, neutralidade das instituições do Estado e abertura democrática real. As forças de segurança devem proteger os cidadãos e não os interesses de um partido. A justiça deve servir a Constituição e não agendas políticas. E a competição política deve ser vista como um sinal de maturidade democrática, não como uma ameaça existencial.
A história africana mostra que países que aceitaram a alternância política tornaram-se mais estáveis, mais respeitados e mais prósperos. Angola também pode seguir esse caminho.
Porque, no final, o problema nunca foi a oposição. O verdadeiro desafio sempre foi a maturidade política do MPLA e suas lideranças.
Naquela dia no Luena, a eletricidade foi desligada. A cidade ficou às escuras.
Mas uma coisa permaneceu acesa: a vontade do povo de participar na vida política do seu país.
E essa é uma luz que nenhum governo do MPLA consegue apagar.
OBRIGADO
