Suspeita de “omissão de socorro” marca morte do psicólogo e jornalista Nvunda Tonet na Clínica Girassol
A morte do psicólogo e jornalista Nvunda Tonet, ocorrida na terça-feira, 20 de janeiro, na Clínica Girassol, em Luanda, está a gerar forte indignação pública e familiar, em meio a graves denúncias de omissão de socorro e condicionamento de atendimento médico ao pagamento prévio.
Por: redação PI
Nvunda Tonet, colaborador do jornal Folha 8 e filho do jornalista William Tonet, deu entrada naquela unidade hospitalar em estado considerado grave, após ter-se sentido mal na sua residência, no Projeto Nova Vida. Segundo relatos de familiares, o atendimento de emergência terá sido retardado por procedimentos burocráticos relacionados com a confirmação do pagamento, situação que poderá ter sido determinante para o desfecho fatal.
De acordo com fontes próximas da família, os primeiros socorros só teriam sido prestados após a confirmação do pagamento da consulta no sistema da clínica, quando o paciente já se encontrava em estado crítico. Pouco depois, Nvunda Tonet foi declarado morto.
Dados apurados pelo Primeiro Impacto indicam que a indignação agravou-se após a direção da referida clínica alegar falta de espaço na morgue para a conservação do corpo, recusando inicialmente a sua permanência.
Ainda segundo os familiares, após demonstrarem disponibilidade para pagar a taxa de permanência, surgiu “milagrosamente” espaço na morgue, facto que levantou sérias questões sobre a subordinação de procedimentos humanitários a interesses financeiros.
Para os familiares, a morte de Nvunda Tonet expõe uma realidade preocupante.
“O atendimento médico não pode ser condicionado por atrasos de pagamento quando está em causa a vida humana”, lamentou um dos parentes.
Até ao momento, a Clínica Girassol não emitiu um comunicado público detalhado sobre as acusações. A família não descarta a possibilidade de recorrer às instâncias competentes para o apuramento de responsabilidades.
