Abandono da mediação do conflito no leste da RDC por Angola não significa “inimizade”diz João Lourenço

O Presidente da República, João Lourenço, disse nesta terça-feira, na cidade de Saurimo, que o abandono do papel de mediador do conflito no leste da Republica Democrática do Congo (RDCongo) não significa “inimizade” com ninguém e rejeitou a possibilidade dos guerrilheiro do M23 atravessarem a fronteira angolana.
Por: Albino Azer
João Lourenço falava aos jornalistas após visita de dois dias (segunda e terça-feira) à Lunda Sul, onde inaugurou a Circular de Saurimo, com 39 quilómetros, e reafirmou que o ramal ferroviário que liga Luena (Moxico) a Saurimo (Lunda Sul), no leste de Angola, vai acontecer.
Questionado por uma profissional da emissora ligada a igreja católica sobre eventuais preocupações com o conflito na Republica Democrática do Congo (RDC) e uma eventual incursão do M23 na fronteira angolana, João Lourenço, rejeitou esta possibilidade e respondeu.
“Mas, se vier a acontecer, é fácil de se resolver. Vamos arranjar uma farda e uma arma e entregá-la a si e mobilizá-la para as Forças Armadas. E pronto, fica o problema resolvido”, ironizou.
O chefe de Estado angolano desvalorizou o facto de ter abandonado a mediação, garantindo que “isso não é nenhum sinal de inimizade com absolutamente ninguém”.
Recorde-se que João Lourenço anunciou na última segunda-feira, que iria deixar o papel de mediador do conflito entre a República Democrática do Congo e o Ruanda, para se concentrar nas prioridades definidas pela União Africana, organização cuja presidência rotativa foi recentemente assumida por Angola.
Angola e RDC partilham uma vasta fronteira terrestre e fluvial de 2.511 quilómetros com um movimento migratório intenso de pessoas e bens.