Auto-proclamado candidato a presidente do MPLA exige que seja divulgado conteudo do acordo entre o governo e a consecionária do Corredor do Lobito

Militante do MPLA e aspirante a substituto de João Lourenço na presidência do Partido, António Venâncio, reconhece que a organização política que governa Angola não tem conseguido dar respostas à crise económica que afecta o país desde 2014 e justifica com a dificuldade de travar a fome e a pobreza extrema que maior parte das famílias ainda vivem.
Em entrevista exclusiva para análise do impacto da suspensão do financiamento da Agência Dos Estados Unidos da América para o Desenvolvimento (USAID), O Engenheiro chama atenção para a necessidade de Angola criar alternativas no sector dos transportes, com novos projectos ferroviário que possam ligar o país para outras extremidades do continente e do mundo.
“poderíamos aproveitar as infraestruturas que já existem, pô-las a funcionar, mas Angola deve começar a pensar com os próprios neurónios, qual é o layout de desenvolvimento para o país.
António Venâncio não poupou críticas à forma como foi conduzido o processo de concessão do corredor do Lobito e afirma que faltou debate incisivo para discutir o futuro do corredor.
Venâncio exige entretanto que seja divulgados os conteudos do acordo entre o governo angolaono e norte-americano para se saber do que é que está escrito nele, para facilitar a compreensao do cidadao comum.
Considera o facto de o corte dos apoios da USAID, não serem exclusivamente para Angola um elemento atenuante, mas advinha dificuldades futuras na gestão Estrutura que liga África ao resto do mundo por terra e mar desde a República Democrática do Congo. Para o político, as dificuldades sarão ainda maiores nos sectores cheve para onde o dinheiro Americano era canalizado, tal como no combate à malária e outras doenças emergenciais que ainda matam milhares de Angolanos nos hospitais.
O político revela que corredor já teve melhor gestão e até lembra que há algumas décadas não faltavam navios, o escoamento de produtos era mais eficiente e desenvolvimento das zonas por que passa o trilho do CFB não era tão tímido ou insistente.
“hoje tu nem tens navios e não desenvolvimento nenhum nas zonas ao longo do caminho ferro” Houve recuos não admissíveis em 2025.
O Engenheiro de construção civil, mostra-se optimista em relação à luta política dentro do MPLA e revela que dedicou os primeiros meses de 2025 na feitura do Texto de base do recurso para revogar as alterações aos estatutos do partido efectuadas no último congresso extraordinário, que limita as candidaturas à liderança do Camaradas à escolha exclusiva do Beoró político e ao Comité Central.
Entretanto, considera ainda haver parâmetros de governação e desenvolvimento que não foram corrigidos e até aponta recuos na vida económica e social das pessoas, como o caso da saúde, que ainda lida com doenças a que considera vergonhosas, a exemplo da cólera.
“em matéria de desenvolvimento há recuos no saneamento, com surtos de cólera, no ramo da emprabilidade não houve ações concretas assim como na habitação em que há falta de planos integrados” adianta.
De recuos apontados não é tudo. De acordo com António Venâncio, desde 2024 que se constatam retrocesso ao nível da Reconciliação Nacional. Vai mais longe e não receia em manifestar preocupação com o facto de que em 2025, com jubileu do Cinquentenário da Independência, que o país assinal a 11 de Novembro deste ano, ainda se vivam sutuações degradantes em muitas esferas da vida.
Sociedade desconfia do Sistema de Justiça.
António Venâncio reage à aprovação de novas forças políticas, pelo Tribunal Constitucional, e afirma que a sociedade não atribui credibilidade a algumas decisões do TC por entender serem resultado de orientações políticas particularmente do MPLA e do Presidente da República.
“mesmo nós militantes do MPLA temos dificuldades em atribuir excelência ao trabalho do Tribunal Constitucional” reforça.
Venâncio acrescenta que as desconfianças da sociedade quanto as decisões dos tribunais, vão continuar, enquanto o MPLA não retirar dos seus estatutos o artigo 122° que declara que todo o militante indicado para ocupar um cargo no aparelho do Estado deve obediência às orientações do Partido.
Falta de um Plano Integrado de Desenvolvimento.
Defende a revisão das políticas de educação e ensino, de modos a formar os jovens com programas mais voltados ao mercado de trabalho. Aponta o dedo ao Governo a quem acusa de ter falhado nas políticas de formação que apontam para o emprego e a empregabilidade.
“nós temos que parar tudo e criar ambiente de trabalho capaz de absorve os jovens em milhares e milhares de pessoas”
De acordo com o Engenheiro, a classe Dirigente do país não pensa em desenvolvimento e sim em obras isoladas com o propósito de ganhar eleições.
“Angola não tem um plano de desenvolvimento integrado capaz de levar o país para frente”
Considera haver uma gritante falta de transparência e prestação de contas e acredita que este fenómeno tem facilitado a delapidação do erário.
Venâncio crítica o que chama de selectividade das vontades nos processos de tomada de decisão e justifica com o facto de Luanda estar a braços com um surto de cólera e não terem sido sequer consultados os Engenheiros para apresentação de um plano de saneamento para a Capital do país.
“há selectividade, de opinião, há selectividade judicial…”
Reconhece que o seu partido é pouco dialogante e acredita que o cenário pode mudar com a sua chegada ao cadeirão do MPLA.
Questionado se nunca pensou em formar um novo Partido, António Venâncio considera nunca ter passada pela cabeça por preferir fazer a luta no seio dos Camaradas.
“porque minha luta não é contra o MPLA. Minha luta é contra as más práticas no MPLA. Estou convicto de que os milhares de militantes que me seguem, que aderiram e subscreveram a minha grande luta pela Democratização do MPLA estarão em condições de me acompanhar até ao fim, e será possível realizar a mudança interna para darmos um outro rumo ao nosso partido e ao nosso país.
Acredito que os angolanos merecem um MPLA melhor, progressista, moderno e democrático.
Tenho esperança de que minha luta, que já está a dar frutos, receberá em 2026 como troféu uma outra liderança, mais democrática e mais identificada com a causa do povo.
Assim estaremos prontos para darmos um outro rumo à nossa Angola” Conclui