60 Anos da UNITA: Adalberto Costa Júnior destaca “pujança” e maturidade das bases como motores da resistência
A União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) celebra esta sexta-feira, 13 de março, 60 anos de existência. Em balanço à agência Lusa, na cidade do Luena, berço da fundação do partido em 1966, Adalberto Costa Júnior , destacou a trajetória de “responsabilidade e resiliência” de um movimento que sobreviveu a fases históricas extremas para se manter como o principal rosto na oposição.
Por: redação PI
Para Adalberto Costa Júnior, o segredo da longevidade da UNITA reside na robustez das suas bases. O líder político enfatizou que, embora as sucessivas lideranças (desde o fundador Jonas Savimbi) tenham tido papéis cruciais, é a “maturidade das bases” que garante a atual pujança do partido.
“As nossas bases sofrem muito. A intolerância bate sobre elas nas aldeias mais ínfimas deste país”, lamentou ACJ, denunciando o ressurgimento de episódios de violência política. O presidente da UNITA recordou que, só nos primeiros oito anos de paz, o país registou cerca de 500 incidentes com mais de 200 mortos, uma realidade que, segundo afirma, ainda projeta sombras sobre o presente.
Num tom crítico ao actual executivo, Costa Júnior descreveu um ambiente político hostil, onde o direito à crítica, à manifestação e à oposição estaria a ser “criminalizado”.
“Liderar nestas circunstâncias é um desafio muito grande”, afirmou, acrescentando que Angola se tornou um país “difícil”, carente de um verdadeiro Estado de Direito e fustigado por problemas sociais graves, como a fome e o desemprego. “Se Angola fosse um país mais bem governado, teríamos muito menos problemas”, disse.
Apesar do cenário adverso, a UNITA diz estar focada no futuro. O partido atravessa um processo de transição geracional, com uma aposta clara no aumento da representatividade feminina e na integração de jovens “exigentes” que reclamam o seu espaço na tomada de decisões.
O objetivo estratégico é claro: chegar ao poder em 2027. ACJ acredita que a alternância é possível e necessária, reiterando que o partido só não alcançou a vitória em 2022 devido a “fraudes eleitorais”. Atualmente, a organização trabalha na consolidação da “ampla frente para a alternância”.
Soube o Primeiro Impacto que, as celebrações oficiais do 13 de março culminam com uma visita à localidade de Muangai, onde a UNITA foi fundada em 1966. A comitiva irá homenagear Jonas Savimbi e os fundadores que enfrentaram o colonialismo.
Adalberto Costa Júnior revelou ainda a intenção de edificar uma obra na região dedicada a jovens e estudantes, embora tenha ressalvado que tal projecto depende da existência de um país “plural e democrático”, que, no seu entender, Angola ainda ambiciona ser plenamente.
