Idosos vivem em casebres de papelão após demolições no Sequele

Cerca de 200 famílias, desalojadas em 2020 do antigo bairro Merengue, denunciam abandono e extrema vulnerabilidade. Sem saneamento ou habitação, sobreviventes clamam por socorro da Administração do Sequele, que mantem total silêncio perante a situação.


Por: redação PI

O cenário é de desolação e violação flagrante dos direitos humanos. Nas cercanias da Centralidade do Sequele, mais especificamente no bairro Bate Chapa município do Sequele, província do Icolo e Bengo, o que resta de uma comunidade outrora estabelecida são agora casas feitas de papelão e desespero. Cerca de 200 famílias vivem hoje em condições desumanas, à espera de uma promessa de realojamento que nunca chegou.

A crise remonta a 2020. Na altura, sob gestão de Auzílio Jacob, a Administração Municipal de Cacuaco avançou com a demolição de mais de 300 residências no bairro Merengue. Segundo os moradores, a acção foi executada sem aviso prévio ou notificação oficial, deixando centenas de pessoas ao relento de um dia para o outro.

Seis anos depois, a perseguição continua a ser o maior receio. “A situação aqui é desastrosa. Há sempre perseguição porque dizem que a terra é do Estado. Estamos a ser perseguidos como miseráveis”, desabafa um dos residentes à recente reportagem do Primeiro Impacto.

A apenas 500 metros do conforto do Bloco 12 da Centralidade do Sequele, o contraste é gritante. A população, composta maioritariamente por idosos, enfrenta carências básicas que desafiam a dignidade humana com relce para a inexistência de latrinas. “Fazemos as necessidades em sacos e deitamos na lagoa”, relata uma moradora, evidenciando o risco de saúde pública.

O sentimento de traição é comum entre os mais jovens e os mais velhos. Um dos desalojados recorda as palavras das autoridades na época da remoção: “O Governador disse que o nosso sofrimento tinha acabado, mas até agora não vimos nada”.

Sem apoio institucional, o grupo sobrevive da solidariedade de terceiros e lança agora um apelo urgente à sociedade civil. Alimentos, medicamentos e roupas são as prioridades imediatas para quem, no crepúsculo da vida, se viu privado do direito fundamental a um teto.

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