Luís de Castro denuncia morosidade na construção da escola Ana Ngola e questiona destino de 405 mil dólares do OGE

Presidente do Partido Liberal acusa órgãos de Justiça e o Executivo de manterem “silêncio sepulcral” perante alegadas irregularidades na execução da escolar Ana Ngola, no município do Sambizanga, em Luanda.


Por: Albino Azer

Em conferência de imprensa nesta quinta-feira, 27 de agosto de 2026, Luís de Castro, denunciou alegadas irregularidades na execução de uma obra da escola Ana Ngola, questionando o facto de o projecto, iniciado em 24 de Junho de 2024, ter uma execução física prevista para apenas seis meses e, até ao momento, continuar sem responder às necessidades da população.

Segundo o líder do PL, a situação é particularmente preocupante num país onde, segundo dados por ele citados, existem cerca de 4,5 milhões de crianças fora do sistema de ensino.
“A sua execução física seria apenas por seis meses. Teve início em 24 de Junho de 2024. Num país onde temos cerca de 4,5 milhões de crianças fora do sistema de ensino”, denunciou Luís de Castro.

O político alertou ainda para o impacto da situação nas comunidades próximas da obra, afirmando que as crianças residentes nos arredores poderão ser obrigadas a percorrer distâncias maiores para frequentar as aulas.
“Quer dizer que as crianças aqui nos arredores terão de se deslocar em zonas mais longe para poderem estudar”, afirmou.

Luís de Castro questionou igualmente a aplicação dos recursos públicos destinados ao projecto, afirmando que a obra já terá consumido 405 mil dólares do Orçamento Geral do Estado (OGE).
“E essa escola já tirou 405 mil dólares do OGE”, afirmou.

O presidente do Partido Liberal disse ainda que várias denúncias terão sido encaminhadas à Procuradoria-Geral da República (PGR), mas acusa o órgão de Justiça de não dar resposta às várias questões levantadas pelo PL.

“Nós temos estado a fazer várias denúncias à Procuradoria-Geral da República, mas a PGR não muge nem tuge”, declarou.

Na mesma conferência, Luís de Castro afirmou que um número significativo de crianças angolanas estaria a abandonar o país em busca de melhores condições para estudar, apontando a vizinha República Democrática do Congo como um dos destinos.
Segundo o político, outras crianças encontram-se espalhadas pelas ruas da Namíbia, onde, afirmou, recorrem à mendicidade. “Há um silêncio sepulcral não só da PGR, mas também do próprio Executivo”, acusou.

O líder do Partido Liberal aproveitou ainda a denúncia para questionar o combate à corrupção em Angola e defender maior responsabilização dos envolvidos em eventuais actos ilícitos na gestão dos recursos públicos.
“Não podemos continuar a permitir que os corruptos façam deste país um lugar”, afirmou questionando ainda se os casos de corrupção devem continuar associados apenas ao período da governação de José Eduardo dos Santos.
“Será que os corruptos foram apenas do tempo de José Eduardo dos Santos? Onde estão os corruptos do tempo de João Lourenço?”, questionou Luís de Castro.

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