Administração de Cacuaco acusada de “olho grosso” após encerrar Parque do mercado do Kikolo, vendedoras temem ficar sem sustento familiar
O gestor do Parque localizado no interior do mercado do Kikolo, Sebastião Gomes, acusa Administração Municipal de Cacuaco de demonstrar interesse nos rendimentos financeiros gerados pelo espaço, depois de uma equipa multissetorial, acompanhada pelo administrador municipal, Fernando Francisco João, ter ordenado o encerramento total do recinto, na quarta-feira, 28 de outubro.
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Por: redação
Segundo Sebastião Gomes, a medida foi executada sem que os responsáveis pelo parque esperassem pela decisão, tendo o administrador municipal comparecido no local por volta das 19 horas e determinado o encerramento completo do espaço, sob alegação de existência de uma situação de ilegalidade.
“Fomos surpreendidos por uma equipa multissetorial da Administração Municipal de Cacuaco, em companhia do seu administrador municipal, alegando que há uma situação ilegal neste espaço”, denunciou o responsável.
Sebastião Gomes considera que o encerramento agrava a situação financeira da gestão do parque, sobretudo por ocorrer no final do mês, período em que existem compromissos com o pagamento de salários dos trabalhadores e de impostos.
“Tendo em conta que estamos no final do mês, há trabalhadores por pagar, impostos por pagar e fica complicado”, afirmou.
Sobre as razões que terão motivado o encerramento, o administrador do parque aponta para um diferendo relacionado com um Posto de Transformação (PT) que fornece energia eléctrica ao mercado do Kikolo.
De acordo com Sebastião Gomes, o equipamento encontra-se legalizado e funciona ao abrigo de um contrato estabelecido com a Empresa Nacional de Distribuição de Electricidade (ENDE).
O responsável suspeita que a actuação de elementos da Administração Municipal esteja relacionada com os rendimentos financeiros produzidos pelo espaço, afirmando que estes estão a criar “olho grosso” sobre o dinheiro gerado pelo parque.
O encerramento do parque está também a gerar preocupação entre as vendedoras que dependem da actividade comercial desenvolvida no local para garantir o sustento das respectivas famílias.
Visivelmente desesperadas, algumas comerciantes exigem esclarecimentos sobre os motivos que levaram à suspensão das actividades e questionam onde poderão continuar a vender os seus produtos.
“Nós não temos onde vamos tirar o pão de cada dia”, lamentaram, acrescentando que a Administração deve indicar uma alternativa para que possam retomar a actividade comercial.
Outra vendedora afirmou que o encerramento está a comprometer o pagamento das despesas familiares, incluindo a educação dos filhos e os custos de transporte para a escola.
“Nós pagamos propinas dos nossos filhos. Nós dependemos daqui no mercado. As crianças não estão a ir à escola porque não têm dinheiro para o táxi”, lamentou.
As comerciantes instam, assim, a uma intervenção do Governador Provincial de Luanda, Luís Nunes para que permita esclarecer a situação e salvaguardar as fontes de rendimento das famílias que dependem directamente do funcionamento do parque.
