“Não queremos uma Rádio Nacional do MPLA, nem uma Rádio Nacional da UNITA” Adalberto Costa Júnior

O presidente da UNITA defende reforma profunda da comunicação social pública e afirma que Angola não precisa de uma rádio Nacional “do MPLA” nem “da UNITA”, mas de uma emissora verdadeiramente nacional.


Por: redação

Numa mensagem nas redes sociais por ocasião do Dia da Rádio Nacional de Angola, assinalado a 5 de Outubro, o líder da UNITA acusou a emissora pública de continuar marcada pela sua origem no período de partido único e sustentou que, apesar da adopção do multipartidarismo em 1991, a RNA não teria alcançado a independência editorial necessária para cumprir plenamente a sua função de serviço público.
“Não queremos uma Rádio Nacional do MPLA, nem uma Rádio Nacional da UNITA. Queremos uma Rádio Nacional de Angola”, afirmou Adalberto Costa Júnior.

Para Costa Junior, a alternância política defendida pela UNITA não deve limitar-se à mudança do partido no poder, mas deve igualmente alcançar as instituições que considera fundamentais para o funcionamento da democracia.

“A alternância política que defendemos não deve significar apenas a mudança de quem governa. Deve significar também a mudança das instituições que sustentam a democracia”, afirmou.

Adalberto Costa Júnior questiona, em particular, o modelo de nomeação dos gestores dos órgãos públicos de comunicação social, defendendo que o processo deixe de estar concentrado na Presidência da República.

A proposta passa, segundo o dirigente, pela criação de mecanismos independentes e transparentes de escolha dos gestores, com supervisão independente e validação parlamentar qualificada.

O presidente da UNITA defende ainda maior autonomia editorial e de gestão, regras de financiamento capazes de proteger o serviço público e instituições de comunicação social com maior capacidade de fiscalização do poder político.

Na mensagem, Adalberto Costa Júnior citou também o Índice Mundial de Liberdade de Imprensa de 2026, elaborado pela Repórteres Sem Fronteiras, que coloca Angola na 109.ª posição entre 180 países, para sustentar a necessidade de mudanças no sector.

Para a UNITA, a comunicação social pública deve assumir um papel mais independente na fiscalização dos poderes Executivo e político, sobretudo num período marcado pela preparação de um novo ciclo eleitoral.
“O Governo e a oposição devem ser escrutinados, a notícia não deve ter partido e o cidadão deve estar acima do poder”, defendeu.

A UNITA propõe, assim, transformar a RNA num órgão de serviço público com maior autonomia perante o poder político e cuja missão, segundo Adalberto Costa Júnior, seja servir todos os angolanos.

“Queremos uma Rádio Nacional de Angola, suficientemente livre para informar, suficientemente independente para questionar e suficientemente republicana para servir todos os angolanos”, concluiu.

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