PRS no Huambo denuncia alegada corrupção na indentifição para aquisição do BI
O Secretário provincial do Partido de Renovação Social (PRS) no Huambo, Soliya Selende, afirmou, esta terça-feira (30), que persistem problemas de corrupção, desemprego, criminalidade e degradação dos serviços públicos na província, durante uma conferência de imprensa realizada na sede do partido.
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Por: Albino Azer
Na ocasião, o dirigente apelou aos cidadãos para aderirem ao processo de actualização do registo eleitoral, levando consigo o Bilhete de Identidade. Contudo, denunciou a existência de alegadas cobranças ilegais nos postos de emissão do documento.
Segundo Selende, há funcionários que exigem entre cinco e dez mil kwanzas para a obtenção do Bilhete de Identidade, além de grupos que, alegadamente, recolhem certidões e cobram cerca de dois mil kwanzas para tratar da primeira emissão do documento. O político considerou que estas práticas configuram actos de corrupção.
Durante a conferência, o responsável do PRS criticou ainda aquilo que classificou como “banalização das autoridades tradicionais”. Como exemplo, referiu um encontro realizado no passado dia 25 de Junho, no município do Cuima, onde, segundo afirmou, teria existido uma tentativa de destituir o Rei Tchipikita II, de Tchingolo, alegadamente por este ter recebido um dirigente da UNITA.
No domínio das infra-estruturas, Soliya Selende reconheceu a requalificação de algumas estradas na cidade do Huambo, mas considerou que determinadas vias intervencionadas ainda se encontravam em condições aceitáveis, defendendo que as prioridades deveriam incidir sobre estradas degradadas em bairros e aldeias, sobretudo antes da época chuvosa.
Outro ponto abordado foi à alegada venda irregular de terrenos pertencentes às comunidades por antigos governadores e administradores locais. Selende citou como exemplos áreas agrícolas no Casseque, Kangoti, na Caála, e na zona dos Funileiros.
Relactivamente ao desemprego, manifestou preocupação com a situação dos militares licenciados das Forças Armadas Angolanas (FAA), defendendo que o Estado deve criar mecanismos para o seu enquadramento na Polícia Nacional ou noutras instituições públicas.
Na área da saúde, denunciou a falta de hospitais e medicamentos em várias localidades da província, acusando as autoridades de divulgarem informações que, segundo afirmou, não correspondem à realidade vivida pelas populações.
Sobre a criminalidade, mostrou preocupação com o aumento de homicídios envolvendo motoqueiros (kupapatas) e questionou a origem das armas de fogo utilizadas pelos criminosos, defendendo maior eficácia das autoridades no combate ao crime.
No plano político, Soliya Selende reiterou que o PRS defende um modelo federal para Angola, bem como a eleição de todos os dirigentes públicos, sustentando que essa seria uma forma de reforçar a responsabilização dos governantes perante os cidadãos.
O dirigente revelou ainda ter sido alvo de um atentado na sua residência. Segundo contou, um indivíduo não identificado entrou na sua viatura durante a madrugada, enquanto dois agentes policiais se encontravam nas imediações. O caso foi comunicado à Polícia Nacional e ao Serviço de Investigação Criminal (SIC), mas, segundo afirmou, até ao momento não recebeu qualquer informação sobre o andamento da investigação.
