CEAST rompe silêncio sobre violência no Uíge: “não se pode advogar qualquer forma de violência”
A Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST) manifestou profunda preocupação com os episódios de violência registados na província do Uíge, na sequência dos confrontos entre militantes da UNITA e efectivos da Polícia Nacional.
Por: Albino Azer
O alerta foi lançado na segunda-feira, 10 de agosto, pelo presidente da CEAST, Dom José Manuel Imbamba, à saída de um encontro com o presidente da Assembleia Nacional, Adão de Almeida, no âmbito de uma iniciativa destinada a encontrar caminhos para influenciar as lideranças políticas a promoverem o respeito pela diferença ideológica e a convivência pacífica.
O líder da Igreja Católica foi categórico ao condenar qualquer tentativa de justificar a violência como instrumento de disputa política. “Não se pode advogar qualquer forma de violência”, afirmou
O prelado alertou igualmente para aquilo que considera ser uma das fragilidades da cultura política nacional. A excessiva aposta na formação de militantes partidários em detrimento da formação de cidadãos. “Gastamos muita energia formando militantes e não cidadãos”, lamentou.
Na sequência dos confrontos, a UNITA denunciou a existência de 31 pessoas feridas, entre militantes e simpatizantes, acusando a Polícia Nacional de ter recorrido à força durante a intervenção.
Para a CEAST, o episódio deve servir de alerta para as lideranças políticas e para a sociedade em geral, reforçando a necessidade de substituir a confrontação pelo diálogo e de promover uma cultura política baseada no respeito pela diferença.
