Neto acusa Ministério do Interior de estar ligado a “máfia” no caso Konda Marta
Daniel Afonso Neto, PCA da Konda Marta acusou, na quinta-feira, 25 de setembro, o Ministério do Interior de estar ligado ao que considera uma tentativa de descredibilização dos documentos apresentados pela empresa, após ser ouvido pelo Tribunal da Comarca de Belas, no âmbito do processo em que é acusado, juntamente com Joana Majita, de alegada burla.
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Por: redação
À saída da audiência, Daniel Neto não poupou as palavras ao denunciar o que considera existir por detrás do processo.
“A máfia está mesmo junto do Ministério do Interior”, afirmou.
O responsável da Konda Marta apontou ainda para o antigo chefe da fiscalização do município do Camama, Sebastião António, autor do processo, alegando que este terá distribuído terrenos a determinadas entidades e que actualmente exerce funções como superintendente do Serviço de Investigação Criminal (SIC).
“Por causa dos terrenos que ele foi distribuindo a entidades, neste momento ele é superintendente do SIC”, declarou Daniel Neto.
O PCA da Konda Marta afirmou igualmente que, durante a audiência, a defesa terá tomado conhecimento, através de Sebastião Manuel António, de que a contestação à documentação da empresa teria sido discutida no Ministério do Interior, numa reunião que, segundo disse, foi dirigida pelo então secretário de Estado e Urbanismo, Manuel Pimentel.
“Foi bom virmos ao tribunal. Ouvirmos que, afinal, esta ideia de tentar denegrir os documentos da Konda Marta foi tratada a partir do Ministério do Interior, numa reunião dirigida pelo ex-secretário de Estado e Urbanismo, Manuel Pimentel”, afirmou.
Daniel Neto rejeitou as acusações e garantiu que a empresa continuará a defender a validade da sua documentação.
“Nós estamos legais, vamos continuar a nos bater. Não vamos aceitar intimidação do Ministério Público ou do Tribunal”, afirmou.
O advogado da Konda Marta, Mordoqueu Pinto, considerou a audiência favorável à defesa e defendeu a realização de novas diligências para esclarecer a autenticidade dos documentos apresentados no processo.
Para o advogado, a eventual falsidade de um documento não deve ser determinada apenas com base numa análise imediata, defendendo que é necessário recorrer às entidades que emitiram e assinaram os documentos.
“Se tomam e dizem logo que a documentação é falsa, não é a forma mais correcta de ver se a documentação é ou não falsa”, afirmou.
Mordoqueu Pinto explicou que, à época dos factos, os sistemas de registo e cadastramento ainda não estavam integrados como actualmente, razão pela qual a defesa pretende que sejam realizadas diligências adicionais junto das entidades competentes.
“Estamos a lutar contra o sistema”, declarou o advogado.
