MEA exige entrega imediata dos certificados aos finalistas do Pingos de Arvoredos, estudantes dizem que situação compromete acesso ao emprego
O presidente do Movimento dos Estudantes Angolanos (MEA) Simão Bento Formiga, exige entrega imediata dos certificados aos estudantes finalistas Instituto Técnico Privado Pingos de Arvoredos acusando a directora da instituição de fugir às suas responsabilidades e de apresentar justificações sem relação com o problema enfrentado pelos estudantes.
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Por: redação
Em reação às explicações da directora do instituto, Violina Mota, durante uma conferência de imprensa realizada recentemente, na qual anunciou o início da entrega dos certificados a partir desta segunda-feira, 8 de Junho, Simão Formiga, diz que os argumentos apresentados pela responsável não justificam o atraso de mais de dois anos na entrega da documentação académica aos finalistas.
“Isso de dizer que o instituto foi assaltado não tem nada a ver com o estudante que terminou lá o ensino médio”, afirmou.
O presidente do MEA recordou que muitos encarregados de educação e estudantes cumpriram integralmente as suas obrigações financeiras junto da instituição e, por isso, não compreende as razões para o atraso na entrega dos documentos.
“Tem encarregados que pagaram propinas e emolumentos, pagaram tudo. Porquê que não entrega os documentos?”, questionou.
Formiga afirmou ainda que a direcção da instituição tem demonstrado falta de abertura para dialogar com os estudantes e com as organizações que defendem os seus direitos.
“Estamos diante de uma pessoa inacessível”, criticou.
O responsável foi mais longe e denunciou que o Instituto Pingo de Arvoredos estaria a funcionar há cerca de dois anos com a licença caducada, situação que considera preocupante e que, segundo ele, exige uma intervenção urgente das autoridades competentes.
“O Instituto Pingo de Arvoredos está há dois anos com licença caducada”, denunciou.
O líder do Movimento dos Estudantes Angolanos lamentou igualmente o que considera ser o silêncio das autoridades governamentais perante uma situação que afecta dezenas de jovens que concluíram os seus estudos e continuam sem os respectivos certificados.
Segundo Formiga, o Governo Provincial do Icolo e Bengo deve acompanhar de perto o processo para garantir que os direitos dos estudantes sejam salvaguardados.
Recorde-se que, durante uma conferência de imprensa realizada na última sexta-feira, 5, a directora do Instituto Técnico Privado Pingos de Arvoredos, Violina Mota, anunciou que a instituição dará início, esta segunda-feira, 8, ao processo de entrega dos certificados aos estudantes finalistas.
Segundo a responsável, os documentos serão disponibilizados aos alunos que concluíram os cursos entre os anos lectivos de 2024 e 2025, esclarecendo que o processo depende também das entidades competentes ligadas ao sector da Educação.
“Quem faz o licenciamento é o Ministério da Educação. Nós temos a licença do curso profissional de saúde”, afirmou.
Ao justificar os atrasos, a directora alegou que o instituto enfrentou duas situações graves que afectaram o funcionamento normal da instituição.
Segundo explicou, a primeira ocorreu após um alegado assalto às instalações escolares, situação que resultou na perda do laboratório de Análises Clínicas.
“Fomos sabotados por duas vezes. A primeira vez houve um assalto dentro da instituição, na qual ficámos sem o laboratório de Análises Clínicas. Estamos a restituir tudo e há detidos na comarca”, declarou.
A segunda situação esteve relacionada, segundo a responsável, com a saída de dois subdirectores pedagógicos que teriam levado documentação académica importante.
Entretanto, alguns estudantes ouvidos pela redacção Primeiro Impacto afirmam que já efectuaram os pagamentos exigidos para a emissão dos certificados, mas continuam sem receber a documentação há mais de um ano.
Os antigos alunos acusam a instituição de criar sucessivas justificações para explicar os atrasos e consideram que a situação está a comprometer o acesso ao emprego e à continuação dos estudos no ensino superior.
Vários estudantes afirmam sentir-se prejudicados por terem concluído a formação há mais de dois anos sem que até ao momento tenham conseguido obter os documentos necessários para comprovar as suas habilitações académicas.
