VIANA EM PÂNICO: Ex-FAPLA e colega de João Lourenço acusa Administrador de Viana de perseguição e usurpação de terra
Um terreno de 3,5 hectares localizado nos arredores do Kikuxi, em Viana, está no centro de uma denúncia grave contra o Administrador Municipal de Viana, Demétrio António Braz de Sepúlveda. Quem acusa é Jorge Manuel Cassule, reformado da Polícia Nacional (PN) e antigo colega de Direcção do Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, na Direcção Política Nacional das FAPLA, extintas Forças Armadas Populares de Libertação de Angola.
Por: Redação
Em declarações aos órgãos de comunicação social, nesta quinta-feira, 9 de julho, Cassule afirma que está a ser alvo de perseguição há duas semanas por parte da Administração municipal e do Comando da Polícia de Viana, com o objectivo de o retirar a força um espaço que diz ter adquirido legalmente em 2011.
Segundo o denunciante, o processo começou quando tentou legalizar a parcela junto da Administração de Viana. “Eu venho desde 2011 a titular-me deste espaço através de uma cedência. O ano passado pretendi legalizar junto a administração municipal. Após o edital, a administração de Viana legalizou o terreno através do título de concessão de terra, título de direito de superfície. Fui ao registo predial, registei o imóvel”, explicou acrescentando que o problema começou logo depois. “Uma semana depois comecei a ser perseguido pelo senhor Demétrio de Sepúlveda que assinou os documentos”.
Jorge Manuel Cassule conta que surgiu, no meio disso tudo, um despacho exarado pela Administração cuja pretenção é anular o seu título, entretanto sem que fosse notificado. “Apareceu um outro despacho que diz que ele anularia o meu documento, mas não me convocou. Eu ouvi por alto e vi o documento a rolar por ali”, disse.
O reformado acusa o Administrador de se coligar com terceiros para lhe tomar o terreno. O antigo colega do presidente da República aponta ainda o Administrador de ter recebido somas avultadas de dinheiro em kwanzas para beneficiar um cidadão que se passa por proprietário legal do espaço em litígio sem apresentar documentos que comprovem a sua legalidade.
“O senhor Demétrio parcialmente coligou-se com outra parte que diz ser dono disso, mas que não tem esses documentos. O senhor apareceu aqui a me dizer que ele tudo fará porque com dinheiro é possível. Eis que por vias próprias consegui perceber que ele recebeu cinco milhões de kwanzas para entregar o imóvel que não tem documentos”, acusou.
Visivelmente triste, Jorge Cassule terminou a entrevista em lágrimas e apelou às instâncias superiores.
“Eu venho às instâncias superiores pedir a máxima ajuda como cidadão Nacional e também participei na libertação deste país. Fui FAPLA, no qual Comissário Político, onde o presidente da república foi meu colega na direção política nacional, então também mereço este respeito. Eu tenho aqui documentos que titulam que sou o dono desta parcela onde o senhor Demétrio está a usurpar, está a aparecer com as forças da ordem pública, está a maltratar a minha família, está a prender”, afirmou.
