Trump anuncia prolongamento do cessar-fogo mas mantém bloqueio e forças militares em prontidão

FILE - Former President Donald Trump gestures after speaking during the North Carolina Republican Party Convention in Greensboro, N.C., June 10, 2023. The latest indictment of Donald Trump alleges the former president conspired to overturn the will of voters and disrupt the peaceful transfer of power. Yet Trump's most devoted followers claim these serious criminal charges actually show that Trump is the victim of political persecution. (AP Photo/Chuck Burton, File)

A horas do fim das tréguas, e perante a resistência a negociar por parte de Teerão, pelas 21h20 de terça-feira, em Lisboa, o presidente Donald Trump deu o dito por não dito e aceitou o pedido do Paquistão para prolongar o cessar-fogo, até o governo iraniano apresentar uma proposta de negociação. Mantém contudo o bloqueio aos portos do Irão e a prontidão das forças militares norte-americanas na região.


As forças norte-americanas arrestaram um petroleiro sancionado por contrabando de crude iraniano na Ásia, informou hoje o Pentágono, enquanto o Irão protestou na ONU por um anterior apresamento.

Segundo o Departamento de Defesa norte-americano, as suas forças “realizaram uma interdição marítima de direito de visita” do M/T Tifani, “sem incidentes”,

O petroleiro, segundo um responsável militar norte-americano que falou à AP sob anonimato, foi capturado na Baía de Bengala – entre a Índia e o Sudeste Asiático – e transportava petróleo iraniano.

Os militares vão decidir nos próximos quatro dias o que fazer com a embarcação, podendo rebocá-la para os Estados Unidos ou entregá-la a outro país.

O Pentágono descreveu o Tifani como “apátrida”, apesar de ser um navio com bandeira do Botsuana, asseverando que “as águas internacionais não são refúgio para embarcações sancionadas”.

“Como já deixámos claro, iremos prosseguir com esforços globais de fiscalização marítima para desmantelar redes ilícitas e intercetar embarcações sancionadas que forneçam apoio material ao Irão – onde quer que operem”, afirmou o Pentágono

As forças norte-americanas têm intercetado navios ligados a Teerão ou suspeitos de transportar cargas ao serviço dos interesses do governo iraniano, desde armas e petróleo a metais e eletrónica.

O general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto, afirmou na semana passada que as ações de fiscalização se estenderiam para além das águas iranianas e da área sob controlo do Comando Central norte-americano.

A mais recente interceção ocorreu durante um já frágil cessar-fogo entre Washington e Teerão, e enquanto o Paquistão tenta mediar negociações entre as duas partes.

O cessar-fogo em vigor expiraria na quarta-feira, mas o Presidente Donald Trump afirmou esta noite que o iria prolongar a pedido do Paquistão.

O petroleiro é o segundo navio ligado ao Irão intercetado pela Marinha norte-americana, que no domingo atacou e apreendeu no Golfo de Omã um cargueiro com bandeira iraniana, o Touska, que alegadamente tentava contornar o bloqueio aos portos iranianos e estava sujeito a sanções do Departamento do Tesouro.

Trump afirmou que um contratorpedeiro norte-americano abriu um buraco na casa das máquinas do navio.

Nas Nações Unidas, o Irão pediu hoje a condenação da apreensão do Touska, classificando o ato como pirataria e uma clara violação do cessar-fogo bilateral.

“Tal comportamento apresenta as características da pirataria e representa uma escalada perigosa que põe em sério risco a segurança de rotas marítimas cruciais”, escreveu o embaixador iraniano nas Nações Unidas, Amir Saeid Iravani, numa carta hoje ao Conselho de Segurança e ao secretário-geral, António Guterres.

“Além disso, este ato ilegal constitui uma violação clara e consequente do cessar-fogo de 8 de abril” e um “ato de agressão” nos termos da Carta da ONU, acrescentou.

“O Irão apela, por isso, “às Nações Unidas, em particular ao Conselho de Segurança e ao secretário-geral, para que tomem uma posição imediata, firme e baseada em princípios, condenando este ato de agressão, garantindo que os responsáveis sejam responsabilizados e exigindo que os Estados Unidos libertem o navio, a sua tripulação e as suas famílias”, refere a carta.

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